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Presidente do Corinthians fala em depoimento 'cordial' após ida à delegacia para o caso VaideBet

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Por Matheus Fiuza e Matheus Quintino

Ricardo Cury, advogado do presidente, e Augusto Melo falaram com a imprensa após a oitiva

Ricardo Cury, advogado do presidente, e Augusto Melo falaram com a imprensa após a oitiva

Matheus Quintino / Meu Timão

Augusto Melo, presidente do Corinthians, prestou depoimento à Polícia Civil nesta quarta-feira a respeito do caso VaideBet. A oitiva do mandatário durou cerca de três horas na 3ª Delegacia, especializada em casos de lavagem de dinheiro.

Em entrevista à imprensa após os esclarecimentos às autoridades policiais, Augusto Melo se mostrou tranquilo e afirmou ter sido muito transparente para o inquérito. Ele esteve acompanhado do advogado Ricardo Cury, responsável pela defesa do presidente.

"Foi um depoimento muito tranquilo, muito cordial, fui muito bem recebido. O resto é eles que vão ter que dar o resultado final, isso é mais a parte jurídica, o doutor (advogado) entende mais, pode falar melhor para você. O que eu posso dizer que foi muito tranquilo. Desde o começo, desde o dia da negociação, tudo que foi feito foi falado, sempre deixei muito claro isso, muito transparente. Desde o dia que eu conheci a patrocinadora e que eu negociei com a patrocinadora. Então desde esse dia foi muito tranquilo e foi isso que foi falado aqui, foi esclarecido. A minha realidade é uma só e tudo que aconteceu foi isso, foi o que falamos aqui", afirmou Augusto.

Questionado sobre a presença de Alex Cassundé, sócio da Rede Social Media Design LTDA, que teria repassado cerca de R$ 1 milhão do valor da intermediação a uma empresa fantasma, Augusto foi interrompido pela defesa. O advogado comentou sobre manter em sigilo partes técnicas do inquérito, embora o presidente do Timão tenha reforçado que está tudo documentado.

"Um esclarecimento pra todos. O inquérito tramita em absoluto sigilo e é assim que deve tramitar o inquérito policial. Nós ficamos aí quase três horas respondendo a uma série de perguntas, o presidente respondeu a todas as perguntas, tem coisas de mérito que não podem ser antecipadas, em respeito ao trabalho da polícia, em respeito ao trabalho do Ministério Público, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). Eu orientei o presidente nessa coletiva breve que nós estamos realizando de respeitar esse sigilo. Todos os esclarecimentos que o presidente devia prestar foram prestados e o que nós temos a dizer nesse momento é apenas isso do ponto de vista jurídico. A defesa técnica orientou isso em respeito ao trabalho do Ministério Público. (O caso) está prestes a ser encerrado", afirmou Cury.

"A minha conversa só foi lá no começo e depois o jurídico cuidou de tudo, está tudo em contrato, cara. Está tudo documentado", complementou Augusto.

O presidente corinthiano também comentou sobre uma suposta conta bancária em seu nome de Santa Catarina, como publicada em reportagem da Gazeta Esportiva, após relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), com movimentações de dinheiro em espécie no fim de 2023. Ele alegou que possui contas bancárias apenas em São Paulo.

"Nunca estive em Blumenau. Eu não tenho conta nenhuma a não ser no meu banco aqui, já comparamos as contas das minhas, tudo, agência, conta bancária, tudo, não tem, para mim é uma surpresa isso. Aliás, não tem nada nesse sentido. Que seja investigado. Agora quem quer essa investigação sou eu, porque tem alguém movimentando uma coisa que eu não sei", disse.

O depoimento de Augusto Melo foi o último programado para a conclusão do inquérito, que é conduzido pelo delegado Tiago Fernando Correia, do DPPC (Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania), com participação de Juliano Carvalho Atoji, promotor de Justiça do Gaeco. Nos dois dias anteriores, Marcelo Mariano, ex-diretor administrativo do clube, e Sérgio Moura, ex-superintendente de marketing, compareceram à delegacia para as respectivas oitivas. Ricardo Cury esclareceu a "demora" para Augusto Melo ser ouvido pelas autoridades.

"Quem define o ritmo, o procedimento, as etapas, é a polícia. Nós não temos como atropelar as etapas que são definidas pela autoridade policial. A gente está respeitando o trâmite normal do inquérito. Algumas providências foram tomadas, já pelo Corinthians, naquele período de 2024, tem uma série de documentos que já foram sinalizados aqui no inquérito, indicados pro delegado e para o promotor. Há um conflito escalado já entre o Corinthians e a VaideBet, que está dependendo apenas, isso já é público, não é nada do inquérito, não é nada sigiloso, que está dependendo só da conclusão do inquérito pra ganhar escala, ganhar potência. Então é isso. A gente está muito tranquilo", concluiu a defesa de Augusto.

Os três, ao contrário de outros depoentes, foram tratados como "investigados", e não como "testemunhas". O inquérito está em andamento há 11 meses, com previsão de encerramento entre o fim de abril e o início de maio. Caso a polícia identifique ação criminosa, os envolvidos serão indiciados, e o caso será encaminhado ao Ministério Público, que analisará as provas colhidas. A partir disso, um promotor poderá apresentar denúncia formal ou optar pelo arquivamento da investigação.

Veja mais em: Augusto Melo e Caso VaideBet.

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